sábado, abril 13, 2024
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HISTÓRIA, LENDAS E DICAS DO PALCO DAS MAIORES ONDAS DO BRASIL

por fecasurf
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RESUMO DE QUASE 60 ANOS DE HISTÓRIA

Descobrimento das ondas de Imbituba.

Para começar, a origem do surf em Imbituba, pode ser atribuída a duas famílias de gaúchos: os Sefton e os Jonhapeter. Eles foram um dos primeiros surfistas dos mares do sul do Brasil. E em meados dos anos 60, Fernando Sefton – com seus filhos ainda pequenos Paulo e Mico -, mais seus amigos Klaus e Jorge Jonhanpeter, e Mário Peccini, aportaram em Imbituba, após 15 horas de viagem, vindos de Porto Alegre, a procura de ondas surfáveis e, a partir daí, todo feriado, final de semana e férias, o roteiro era o mesmo: as grandes e perfeitas ondulações em Imbituba.

Mas, entre os nativos circula a versão de que, pouco antes dos gaúchos descobrirem Imbituba, José Henrique Costa – mais conhecido entre os locais como Lilico – e mais três nativos, já dropavam as ondas se equilibrando em cima de uma prancha de madeira chamada “fibra de coqueiro”, que pertencia a César Francisco, até que os Séfton chegassem, com suas pranchas de fibra de resina. Mais tarde, Lilico realizou seu grande sonho, e comprou sua primeira prancha de fibra, em Porto Alegre.

A chegada de cariocas e paulistas

No início da década de 70, Bento Xavier da Silveira, resolveu checar a ‘lenda’ que falava de ondas de até 15 pés tubulares, que quebravam perfeitas e praticamente sozinhas, numa praia localizada quase no extremo sul do Brasil. Ele foi um dos primeiros surfistas do eixo Rio-São Paulo a pegar onda em Imbituba.  Sendo ele, um nômade por natureza – capaz de se adaptar a qualquer condição para realizar seu grande desejo – “migrar para Imbituba foi uma tarefa fácil”.

Lendas contam, que Bento chegou a residir por algum tempo em um pequeno barraco na Ilha Santana de Fora, uma das duas ilhas encravadas em frente à praia da Vila, remando quase todos os dias até o pico, para surfar e voltar para ilha. Vivia da farta pesca existente ali, além de vez ou outra, ir até o centro da cidade buscar outros mantimentos. O referido barraco é utilizado até hoje por muitos surfistas e pescadores na Ilha Santana de Fora.

As sementes do surf nacional plantadas em Imbituba

Em frente à praia da Vila, e ao lado do Hotel Imbituba – que já foi até hospital em décadas passadas, e que era muito bem cuidado pelo já falecido Moreira -, fica o conhecido ‘Chalé dos Catão’, que era a residência oficial de férias de uma família tradicional carioca, que tinha a concessão para exploração do Porto de Imbituba.  Toni Catão, já falecido e um dos herdeiros dessa família, comandava a trupe de sedentos surfistas, que vinham de outros estados e costumavam ‘acampar’ ali por meses – até 20 ou 30 surfistas se reunião -, com alguns deles fazendo parte e comandando a história do surf nacional até hoje.

Como Roberto Perdigão, por exemplo – fundador da ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional) em 85, e membro da WSL/South America até hoje –, Arnaldo “Abacaxi” Spyer – juiz da ABRASP e da antiga ASP (Associação Mundial de Surf Profissional), hoje WSL-, Ricardo Bocão – grande surfista de ondas grandes, eleito embaixador brasileiro no circuito mundial, e comandante do canal de TV por assinatura Woohoo, -, Victor Vasconcelos e Roberto Bataglim – fundadores de uma pioneira fábrica de pranchas de fibra, a Vicstick, que mais tarde passou a se chamar Hotstick.

Além deles, outras lendas do surf brasileiro como Ianzinho, Cauli Rodrigues, Jorge Vicente – que residiu durante anos no Hawaii, mas que agora mora em Florianópolis, considerado um dos mais renomados shapers (designer) de pranchas havaianas do mundo -, Carlos Mudinho – um dos mais competitivos e lendários longboarders do Brasil –, André Cotrin, Horácio Seixas – irmão do falecido cantor Raul Seixas -, André de Biasi – o Lula, da série de tv ‘Armação Ilimitada’ -, Reinaldo ‘Dragão‘ Andraus – diretor proprietário da Revista Hardcore – e Sidão da OP, eram apenas alguns dos mais ilustres e assíduos frequentadores.

Até hoje se ouve entre esses pioneiros algumas histórias interessantes, como a da rinha de briga de galo no centro da cidade, do senhor Marcos, o Marcão do restaurante, a qual as arquibancadas da mesma, transformavam-se em dormitórios para alguns dos visitantes, quando seus quartos para alugar estavam lotados, os quais vinham atrás de aventuras, ondas grandes e perfeitas, durante suas estadas por lá.

Outra fato que marcou o surf brasileiro na época foi o lançamento da primeira bermuda de surf idealizada e fabricada em Imbituba. Daniel Setton, ou ‘Danny Boy’, outro ilustre visitante e amigo da família Catão, havia recém chegado da Califórnia, e resolveu lançar no Brasil a moda que já era febre entre os norte-americanos. Surgia ali, para mais tarde se transformar numa das maiores fabricantes de surfwear do Brasil.

O Canto do Paraná e lendas internacionais de passagem por Imbituba

E sob os olhares curiosos e admirados dos nativos e pescadores, estes visitantes desafiavam as ondas da praia da Vila, bem como da praia do Porto, mais especificamente no lendário Canto do Paraná, que foi uma das melhores e mais perfeitas ondas do sul do Brasil, onde hoje se localiza o segundo cais construído do Porto de Imbituba, revolucionando a juventude com suas pranchas, muita coragem e ousadia.

Até estrelas do surf mundial como Mickey Dora e Joe Cabel, conheceram e comprovaram as praias maravilhosas, o surf e o auto astral que reinavam naquele pedacinho de terra chamado Imbituba.

A ‘velha guarda’ do surf Imbitubense e o fim da decadência ambiental

Da que se pode chamar de “velha guarda” do surf local imbitubense, pois a maioria ainda surfa – uns aqui, outros no céu, ou já falecidos, in memorian -, todos hoje ainda conhecem lendas como Ivinho, Caca – já falecido, tendo sido, na década de 70, página central da extinta revista Brasil Surf, única especializada em surfe na época – Naborzinho e Mezo – dois pioneiros na fabricação de pranchas realmente locais, o primeiro com as pranchas Imbituba, e o segundo com a Litoral Sul, respectivamente.

Além deles, Adil, Zé Neto da Rip Villas, Jota – laminador, shaper e exímio salva-vidas da região, posteriormente -, Flavinho Bortoluzzi, Walter ‘Tati’ Tavares, Gil de Bonna, Vaninho, Baia, Gariba Bilherva, Natanael, Muri – que, em sua homenagem ainda em vida, recebeu o nome de uma das valas (ou pico de ondas) existentes na praia da Vila Nova, o ‘pico do Muri’-, Marquinhos – filho de Marcão do restaurante, citado acima -, o lendário Koyzinho já falecido, entre tantos outros, fizeram sua base na rua de baixo e serviram de escola para as gerações que se seguiram.

E, se nas décadas de 60 e 70, a fama das melhores e maiores ondas correu os quatro cantos do Brasil, na década de 80 a imagem poluída da cidade afastou os surfistas, e a indústria sem chaminés do turismo, cresceu nas vizinhas Garopaba e Laguna, passando por cima da rica beleza natural de Imbituba.

Foram pouco mais de quinze anos de ‘decadência e burrice total’, para acontecer o que os surfistas e amantes de Imbituba já haviam previsto. Para muitos, que conheceram Imbituba antes desta ‘falência ambiental‘, ficou como exemplo, para que tais equívocos não sejam cometidos novamente.

Grandes eventos: O fim do esquecimento.

Hoje, com o surf já transformado em profissão, e os surfistas provando que não são vagabundos, mas sim, atletas de talento e habilidade, a cidade já resgatou sua imagem ecologicamente correta, e partiu para o ousado desafio de receber grandes competições e grandes atletas nacionais e internacionais.

Assim como foi o OP PRO Imbituba 94 – que serviu de marco para o fechamento em definitivo da ICC (Industria Carboquímica Catarinense), mesmo sob ameaças de bombas, e o lendário boato sobre uma cápsula de material radioativo que estaria enterrada nas areias da Praia da Vila, durante o evento, e que pertenceria a própria ICC.

E o Desafio No Fear de Ondas Grandes – primeiro campeonato realmente só de ondas grandes a nível nacional -, as várias etapas do Circuito Super Surf, e o ponto máximo para o surfe nacional e internacional, o WCT Brasil, que aconteceu durante oito anos seguidos nas areias da praia da Vila, em Imbituba.

De Imbituba, os atletas vêm ano a ano progredindo em competições nacionais e internacionais. Em destaque, a cidade já teve um atleta entre os dez melhores do Circuito Brasileiro, como foi o caso de Fábio Carvalho, que ainda teve uma participação histórica em uma das etapas do WCT, em águas imbitubenses, concorrendo com seu maior ídolo, Kelly Slater, entrando de vez para a história do surf nacional, catarinense e imbitubense.

PRAIA DA VILA (A MECA DO SURFE)

CONHECENDO UM POUCO O DESAFIO

Imbituba localiza-se no centro sul do país, numa região em que a plataforma continental é a que menos se estende em direção ao Oceano Atlântico. Ou seja, as ondulações chegam à costa com muito mais energia que em outras regiões do Brasil. Alia-se a isso, o fato de possuir um banco de areia quase fixo, que se prolonga um pouco mais para fora que em outros locais, pois a presença de duas ilhas – Santana de Dentro e Santana de Fora – dificulta o movimento e a saída de areia desta bancada.

Na realidade são dois bancos, quase sempre de formas triangulares. Um próximo a ilha Santana de Dentro e outro mais para fora. O primeiro banco aceita swells de leste – onde uma esquerda longa e perfeita atravessa quase toda a extensão da praia -, e de sul – para abrir uma direita com diversas seções manobráveis -, inclusive, dependendo da posição e profundidade do banco, tubos largos e perfeitos. Nesta posição, as ondas podem chegar a 8 pés plus (mais de 2,5 metros) de altura.

Na segunda bancada, que se estende até a ilha Santana de Fora, as ondas quebram em qualquer posição, principalmente direitas longas e perfeitas que se arremessam para o alto e depois para frente, tornando a onda muito mais difícil de descer. Os mais experientes ainda desafiam o mar quando ele está de “responsa”, pois, a cada nova queda, em ondas deste porte – de 8 a 18 pés – não existem vencedores ou perdedores. Só quando saírem do mar é que irão saber.

O canal ajuda – um pouco – a travessia, mas a sorte também. O “timming” não é o principal fator, pois as grandes séries não marcam um momento exato para chegar varrendo instantaneamente quem se aventura numa longa remada, praticamente, rumo ao alto mar. Quando a série entrar – caso resolva cair – reze para não estar no meio do caminho delas, pois se você já ouviu falar que “fechou o canal”, e pensa que sabe o que é isso, pode ter a certeza de que é mais pura ilusão sua. Isso só para o começo, enquanto ainda estiver no canal.

Muitas vezes, a força do impacto da onda em cima do canal é bem maior do que quando a onda quebra lá fora. Primeiro ela desaba em suas costas e te joga para baixo – bem para baixo -, pois há uma boa profundidade ali. Se você conseguiu resistir ao impacto, tomara que tenha dado uma boa respirada antes de afundar. O ideal é não largar a prancha, e não perder a noção de direção de superfície, em nenhum momento.

Se chegar até este momento, é porque sobreviveu a primeira parte desta aventura e, principalmente, tentou ao menos, manter a calma o maior tempo possível. E ainda, o mais importante, quando estiver embolado numa onda dentro do canal, o melhor é largar a prancha e saber qual direção ela irá tomar. Ela irá subir, certamente. Nade para cima, para “luz”!! E, se ainda você estiver com sorte – e fôlego – não haverá nenhuma outra onda atrás para lhe tragar novamente. Se conseguir passar por tudo isso e sobreviver, vá até o pico e drope uma por todos que ficaram na areia – e são muitos ‘expectadores’ -, pois, esta é a única saída, e não há como tentar apenas sair remando de lá.

Um aviso importante: se você ainda não é um adepto do big surf, estiver surfando na Vila – ou em qualquer outra praia -, e a situação estiver ficando fora de controle, apenas reme para fora e reze, reze muito. Quem sabe Alguém lá em cima escute suas preces. Em raros dias, na Praia da Vila, as condições podem mudar de uma hora para outra, e para não ser pego de surpresa, este guia pode ser importante e lhe dar uma pequena noção do que você poderá encontrar numa próxima trip a Imbituba.

GUIA DAS ONDAS EM IMBITUBA

Tão importante quanto surfar, é achar as ondas certas no lugar certo. Por isso, para surfar em qualquer lugar, você tem que estar por dentro das condições para a prática do esporte.

Primando por possuir um litoral muito bem recortado, Santa Catarina é conhecida por fazer parte da “Califórnia brasileira” – que se estende desde o litoral paranaense, até as praias de Laguna -, e se destaca do resto do Brasil, por suas belas baías e excelentes ondas que quebram em qualquer época do ano. Neste contexto, Imbituba se destaca, ainda mais, das outras praias em diversos fatores, principalmente, tamanho, frequência, variedade de ondas e posição geográfica.

E acima de tudo, o respeito aos nativos, assim como em qualquer praia pelo mundo, evita problemas indesejáveis em uma surf trip. Em todas as praias de Imbituba, os locais são muito acolhedores e surfistas do mundo inteiro já sentiram isso. Há ondas para todos neste pequeno trecho do litoral. Um amistoso “bom dia”, e o respeito à natureza também fazem muita diferença.

 

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Federação Catarinense de Surf
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